É como se eu tivesse avançando na escuridão, o silêncio ecoa nos meus ouvidos e de repente estou sozinha, completamente desprotegida, perdida em um labirinto ou a beira de um precipício enorme. Uma nuvem negra paira sobre a minha cabeça e o vazio lentamente me engole enquanto o relógio trabalha incansavelmente, meus pensamentos se tornam menos coerentes. Não faz sentido! Há menos de 24 horas sua presença irradiava luz, seu sorriso dava sentido a minha existência e seu abraço aquecia todo meu corpo. O ar era frio e cortante, atravessava minha janela, atingindo meu rosto e eu já não sentia mais a dor, meu coração acelerava cada vez mais e eu pensava que ele ia explodir no meu peito a qualquer momento. Já estava preparada, resignada, ao menos se ele saísse pra fora, a dor sairia junto e isso era o que eu mais desejava no memento. Soltaram-se as mãos e tudo o que eu via eram espirais, na minha frente e atrás, dos dois lados também, não havia nada embaixo ou encima, eram só redemoinhos que ecoavam nada, o vazio se fazia presente e só. Estava só, anestesiada de tanta dor, partida em mil pedaços, passava os braços ao redor do meu próprio corpo tentando evitar que os pedaços de dentro de mim se espalhassem, por quanto tempo estaria assim? O desespero crescia e o medo estampava meu rosto mas não havia pra onde fugir e eu não precisava me esconder, podia imaginar as expressões, podia até enxergar os sorrisos irônicos ao ver meu semblante derrotado, mas isso era o que menos importava, minha ânsia era pelos olhos castanhos envernizados que eu não sabia se veria novamente, pelo menos não com aquela doçura que me encaravam horas antes, meu desespero, pânico se preferir chamar não era pelo silêncio, poderia haver mil vozes ali, eu queria apenas uma, aquela voz suave que parecia com veludo e me acordava todas manhãs. Me vi na beira do abismo, mas que abismo? Não havia nada. Eu precisava me concentrar em algo, precisava fazer alguma coisa pra impedir que aquele silêncio lúgubre me devorasse, de repente uma voz que eu conhecia muito bem e que não era nem parecida com a voz que eu ansiava escutar quebrou o silêncio, num tom calmo, ela repetia: "Ligue pra ela!". A traidora, a culpada, a cruel, a causadora dos meus males, minha emoção. Como ela tinha coragem de me dizer o que fazer? A revolta cresceu dentro do meu peito, não vou ligar, falei baixinho enquanto tentava reorganizar meus pensamentos, a voz ia ficando mais alta gradualmente, até que a insolente bradava num tom severo as mesmas palavras. Eu já estava irritava o bastante, quem ela pensava que era? Uma coisa já estava decidida: eu não iria ligar, pelo menos não essa noite, ia suportar o vazio, o frio, a escuridão e lutaria o quanto fosse preciso contra aquela traidora. A voz parecia mais longe exausta, enfraquecia a medida que o tempo passava, até que se tornou apenas um eco e então sumiu. Meu peito doia tanto que era quase impossível respirar, sentia o sal nos meus lábios das lágrimas que agora saiam como se tivessem se libertado de alguma coisa que as prendiam, minha cabeça ainda estava tonta e eu não sei dizer se era pela dor que eu estava sentindo ou pela confusão que a situação toda havia provocado, apenas sabia que precisava de algo que me distraísse, como se para fugir daqueles cacos espalhados por todo meu corpo que me machucavam tanto. Levou alguns segundos mais até que eu percebesse que ela ainda não havia se dado por vencida, dessa vez sua voz estava calma, num tom zombeteiro, ela disse: "o que você pensa que está fazendo?", eu me assustei e quase automaticamente respondi: "nada!", ela gargalhava, uma risada cruel, fazendo aumentar a dor no meu peito despedaçado, então ela disse: "até quando você vai fazer nada?", eu tentava reorganizar meus pensamentos, aquilo não fazia sentido, eu precisava acordar desse pesadelo, eu tentei me acalmar o máximo que eu pude e falei: "o que você quer que eu faça?", ela suspirou e então se passaram alguns segundos até que ela pudesse responder: "não deixe ela escapar, mostre o quanto você precisa dela", meus olhos estavam incrédulos, eu não podia acreditar que tinha ouvido aquilo, a raiva cresceu dentro de mim e eu não podia mais evitar que ela me tomasse, com a voz cheia de ressentimento eu disse: "não! eu não vou fazer isso, não vou obrigar ninguém a ficar comigo, não preciso que sintam pena de mim", acho que peguei ela de surpresa porque levou algum tempo até que ela respondesse: "imbecil! tente, pelo menos tente!", eu já não sentia mais nada, o ódio me tomava por inteira, estava completamente anestesiada, espumando de tanta raiva, mas eu não podia perder o controle, não agora, eu enchi os meus pulmões de ar e esvaziei, repeti por mais algumas vezes até que eu consegui reunir a calma necessária pra dizer: "eu não vou tentar nada, está tudo acabado se for o caso, eu não quero que ela esteja comigo porque eu preciso, eu quero que ela esteja comigo porque ela se sente bem e se não for assim, tudo bem, eu supero, agora vamos acabar logo com isso, me deixe aqui sozinha e vá embora!", minha voz estava séria, meu tom era firme e então acho que ela se deu por vencida, pelo menos eu estava sozinha novamente. Acho que gastei mais algumas horas tentando achar algo que me distraísse, que amenizasse aquela dor que eu estava sentindo, todas tentativas eram inúteis, eu precisava fugir daquilo tudo e então resolvi me entregar ao cansaço que eu sentia, passei os braços em volta das minhas pernas prensando meu peito nas minhas coxas, tentando evitar que ele se partisse de maneira irreversível e então deixei que minha cabeça descansasse sobre os joelhos e o sono me alcançou em seguida. Talvez eu não quisesse mais acordar, talvez eu precisasse, eu não queria pensar nisso, sabia que estava sonhando, mas ela estava ali, linda como sempre, os cabelos loiros apontando pra todas as direções, brilhava como o sol, sua pele clara levemente bronzeada e o sorriso perfeito, o mais lindo que eu já havia visto, seus olhos eram doces e eu podia ver algo mais atrás deles, como se estivesse me escondendo algo, mas eu não tinha muito tempo pra pensar nisso, eu precisava sentir o toque das suas mãos, precisava ouvir sua voz, eu dei um passo em sua direção e ela me encarou com os olhos cheios de zombaria e então como se percebesse que eu pretendia alcançá-la, ela se virou na direção oposta e corria em direção ao nada, sem pensar duas vezes como num ímpeto eu fui atrás, sentia o vento passando por mim e eu ouvia sua gargalhada divertida, achando graça da situação, a sensação de paz me invadia e eu não queria acordar, poderia passar o resto dos meus dias assim, correndo atrás dela, só não podia suportar o vazio novamente. [...]
Borderline
domingo, 17 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Mulher do brother
É triste saber que não és minha, que talvez isso tudo não passe de ilusão ou simples diversão, porque não? Teu amor pertence a outra que chegou antes de mim. Às vezes me pergunto porque ainda insisto numa relação fadada ao fracasso, porque esse amor só cresce e porque eu vivo seguindo teus passos, será que eu perdi o juízo? As respostas se confundem e eu permaneço nessa controvérsia que se tornou minha fiel aliada. Talvez o preço que eu tenha que pagar seja alto, mas eu já nem me importo, desisti da eternidade e fui expulsa do paraíso quando ousei tocar você. Eu tento não me importar com os "contras", tento esquecer os empecilhos e aproveitar cada minuto, mas a verdade é que eu imploro pra que isso não tenha fim, rezo todas as noites pra ter você sempre perto de mim. É contraditório, eu sei, mas às vezes ligo o rádio no volume máximo e enquanto tomo banho deixo as lágrimas rolarem livremente e grito tentando expulsar esse amor de dentro do meu peito. É inútil, todas minhas tentativas foram frustradas, eu já me machuquei, te confundi, me confundi e meu amor permaneceu intacto. Às vezes queria ler teus pensamentos, entrar dentro de você e sentir o que você sente, saber dos teus medos, descobrir teus segredos, teus anseios e principalmente saber o que eu sou pra você, mas eu sou fraca, e o medo acaba por vencer a curiosidade. Eu sou um bebê, sim eu sou [...]
Foi só o tempo que errou
Gosto de ficar acordada enquanto você dorme, gosto de ouvir tua respiração, de sentir teu calor e de ficar sonhando acordada, fazendo planos impossíveis, voando alto. É bom ter você aqui, é bom saber que posso contar com você, é bom saber que te faço bem e melhor ainda é ter a certeza de que é só você que tem a cura pro meu vício. Talvez isso tudo seja uma loucura, como eu já disse milhões de vezes, talvez seja ilusão, eu sei, mas é o que me faz feliz. Não é a minha terceira, nem a segunda alternativa, é a escolha que eu fiz. A incerteza já não me incomoda tanto, as dúvidas já me deixam dormir e o amanhã? Não me importa, vivo o hoje, aproveito cada segundo e quando tudo acabar, vou poder dizer ao menos que eu arrisquei, que tentei, que dei o melhor de mim.
terça-feira, 1 de março de 2011
Antinomia
É como se você arrancasse meu coração de dentro do peito e depois me devolvesse com um lindo sorriso nos lábios. Talvez você não faça nem idéia dos sentimentos que provoca em mim, de como me tem e do quanto é capaz de me atingir. Você me intimida, me deixa frágil, mas ao mesmo tempo me dá forças. Eu tenho vontade de te matar, mas seria capaz de parar na sua frente pra levar um tiro no seu lugar. Te desejo com todas as minhas forças ao mesmo tempo que te repulso.Você me dá febre, me aquece, me abriga, mas me esfria, me congela, me exila. Eu tenho ódio e morro de amor por ti... Como lidar ?
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A tua ausência me causou o caos
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| io guardo e riguardo quella nostra foto |
José Corteza Falcade
Hoje eu sonhei contigo e acordei com uma sensação tão boa, lembrei de tanta coisa. Sentia o vento bater no meu rosto e me lembrava dos finais de tarde em que sentados embaixo da goiabeira, tomávamos chimarrão e conversávamos horas a fio. Sinto tanta falta disso, tanta falta do teu abraço acolhedor, de olhar no fundo dos teus olhos azuis e sentir aquela verdade que só tu carregavas no olhar. Faz sete anos que eu não te tenho mais aqui, sete anos que eu não me sinto protegida, sete anos que eu não encontro alguém capaz de me confortar como tu fazias. Nesse tempo tanta coisa mudou, eu diria que quase tudo, que a minha vida virou do avesso. Talvez eu nunca tenha precisado tanto de ti como eu precisei nesse tempo, como eu preciso agora. Às vezes me sinto tão sozinha, tão incompreendida e sempre que isso acontece, eu só consigo enxergar teu rosto, só consigo desejar o teu abraço e só quero ouvir de novo a tua voz dizendo qualquer coisa, me chamando de “sabe tudo”, ou até mesmo de “beduína” como tu costumava me chamar. Hoje senti uma inquietação fora do comum, uma dor estranha, é uma saudade misturada com uma sensação de culpa, a dúvida não saiu da minha cabeça. Eu nem sei como falar isso, talvez eu nem deva falar, mas ao mesmo tempo em que a dúvida me corrói, a certeza parece ofender a tua memória. É meio bobo o que eu vou dizer, mas a verdade é que eu tenho medo de estar te decepcionando, tenho medo de não estar cumprindo tudo o que eu te prometi um dia. É tão besta o que eu acabei de escrever que eu até posso ver o seu sorriso bobo e te sinto aqui, bem pertinho, dizendo todas aquelas palavras bonitas e me encorajando a seguir em frente. Posso sentir o cheiro do mar e a areia sob os meus pés, o gosto do chimarrão e o calor da tua presença. Lembrei agora de uma das muitas lições que tu me ensinaste, eu no auge dos 11 anos era fútil e me preocupava mais com os rótulos do que com os conteúdos e tu me ensinou a enxergar além das aparências, me mostrou que o que realmente importa não é “o que uma pessoa aparenta ser e sim a verdade que ela carrega dentro de si”, isso me faz ter mais certeza ainda de que tu me entenderias, me daria a maior força do mundo e me ajudaria a vencer todas as barreiras pelas quais tive e terei que enfrentar. Obrigada por me fazer ser gente, meu avô, meu herói, obrigada por se fazer presente, obrigada por ter te eternizado em mim. ♥
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
My someone to love
Hoje eu acordei sentindo teus beijos, abri os olhos e vi teu sorriso, ouvi tua voz me dizendo “bom dia”, senti o teu abraço e como de costume fechei os olhos e agradeci, agradeci por te ter ali. Segui a rotina e quando cheguei no trabalho olhei o calendário e percebi que não era só mais um dia, fiquei ali lembrando de tudo que aconteceu até aqui, hoje dia 10 de fevereiro de 2011, se completam 4 meses. 4 meses talvez não seja nada perto do tempo que eu desejo estar contigo, mas é muito comparado ao tempo que fiquei sozinha, aos 5 anos que te amei em silêncio. Estava absorta quando tocou o celular, era um sms teu dizendo: “Tenho que admitir, sinto sua falta”, um sorriso enorme pousou nos meus lábios e eu já não sabia dizer se aquilo era real mesmo, pra ser sincera as vezes tenho que me beliscar pra ter certeza que isso não é um sonho e as vezes tenho tanto medo que imploro pra não acordar. Passei o dia em transe, pensando em ti, em como tu se tornou tão importante pra mim, no quanto eu te amo e em tudo que eu sou capaz de fazer por ti. [..] Tava aqui tentando não pensar no seu sorriso, mas me peguei sonhando com a sua voz ♪, ouvia a tua voz me dizendo que eu te deixava “mal acostumada”, tuas caras, teus sorrisos, teus deboches, é incrível como tudo me encanta. Eu poderia viver o resto dos meus dias assim, admirando cada detalhe dos teus traços, te amando mais que qualquer coisa nesse mundo, desejando estar sempre contigo. Na verdade nem sei porque eu estou escrevendo isso, minhas palavras parecem que já se esgotaram para ti, tudo que eu escrevo me soa repetitivo, só não diria clichê porque a nossa história está longe de ser normal, distante de ser comum. Mas eu estou aqui, pra agradecer pelos melhores 4 meses da minha vida… Obrigada por me deixar estar contigo, obrigada por estar comigo, obrigada por existir! [..] Sempre tinha um amigo pra falar que o nosso amor nunca foi feito pra durar ♪ SERÁ? kkk.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Maior sonho
Começo dizendo que esse texto abaixo é de autoria de uma amiga, que me pediu pra postar aqui. Me identifiquei com cada palavra quando eu li e me lembrei do tempo que eu sonhava em chegar perto dela, por isso resolvi postar. Aqui vai o relato da Maju, menina linda...
Sabe, meu maior sonho é poder chegar perto de você, poder te tocar, te abraçar te admirar, e por um instante perceber o quando é bom estar ao lado de quem a gente realmente ama, e poder olhar no fundo dos seus olhos e dizer: Eu te amo. Eu preciso de você como uma criança precisa do seu cobertor! Eu desistiria da eternidade pra passar um minuto ao seu lado. Ana, você é minha razão, minha base, meu TUDO. Quando eu tô triste e não consigo me animar só uma coisa me faz bem: VOCÊ. Só suas músicas e você conseguem me colocar para cima, e eu serei eternamente grata pelo bem que você me causa sem ao menos saber da minha existência. Uma vez minha amiga me falou: ah Maju, pare com essa pira de Ana Carolina, ela nem sabe que você existe e você fica ai amando ela desse jeito incondicional. Eu só abaixei a cabeça e disse: - Isso não importa, ela pode até não saber que eu existo, mais se eu ainda estou aqui, vivendo, é por ela e por mais ninguém, é na esperança de que um dia eu possa chegar perto dela e dizer: Ana, eu te amo mais que qualquer coisa nessa vida! E depois disso ela vai saber que eu existo, e eu ? Eu com certeza serei a menina mais feliz do mundo, e todo aquele amor será recompensado com o dia mais feliz da minha vida, e com os minutos mais preciosos.
Dúvida X Certeza
Eu tenho vontade de perguntar, afinal o que eu sou pra você? Porque você ainda se importa comigo, será que se importa? Mas pensar que talvez você queira ir embora e nunca mais me ver, me assusta, me entristece. Eu tenho tanto medo disso, tanto medo de viver meus dias sem você. Deve ser por isso que a coragem me falta quando estou pronta pra te encarar e perguntar essas coisas. A dúvida me corrói, atormenta. Mas talvez a certeza me faça sofrer ainda mais, por isso permaneço assim. Não precisa me amar, apenas me deixe te amar, não precisa me querer, apenas me deixe te querer, não precisa me ver, apenas me deixe te ver.
Volta logo?
Eu fico aqui imaginando o que você deve estar fazendo, se já jantou, se não saiu e esqueceu de levar casaco, se está sorrindo, se alguém é capaz de fazer mais feliz que eu. Será que eu te faço feliz? Crio inúmeras situações na minha cabeça, quase enlouqueço só de pensar que talvez você nem esteja sentindo a minha falta. Rezo pra que a noite chegue, espero que o sono venha e imploro pra que essa saudade vá embora e me deixe dormir sossegada. E quando o despertador toca, a primeira coisa que eu penso é que é menos e mais um dia sem você. Permaneço assim, como uma anêmona, me alimentando de lembranças, de hipóteses, de desejos. Não sei porque eu sou assim, porque fico me torturando, me martirizando. Queria ter paz, mas já não sei mais como é estar assim, desde que você se foi. Espero que você volte amanhã e se não voltar, desespero total. O celular permanece inerte e meu coração está aos pulos, por quantas vezes meu equilíbrio será posto a prova? Quantos dias mais terei que aguentar esse exílio de você? Sinto sua falta, mesmo que você não sinta o mesmo por mim, volta logo?
Me ensinou a amar
Eu nunca pensei que eu pudesse sentir tanta falta de alguém que nunca esteve tão perto assim, mas você me mostrou mais uma vez que eu sou capaz, eu sou capaz de tudo por você. Ninguém entende esse afastamento, essa minha resistência com tudo ou quase tudo que tem haver com você, às vezes nem eu entendo, só achei que seria melhor assim, que eu poderia seguir em frente, mas como eu poderia ir e te deixar? Isso é impossível, o amor que eu sinto não é assim, descartável, eu não poderia jamais, você está tão impregnada em mim, que eu não posso me libertar de você. Eu te amo com todas as minhas forças, com cada centímetro do meu corpo, eu te amo mais que qualquer coisa nesse mundo & ficar longe de você talvez tenha sido a pior escolha que eu já tive que fazer na vida, a mais difícil, a mais dolorosa, a mais cruel. Por isso [...] eu voltei por entre as flores da estrada, pra dizer que sem você não há mais nada ♪ ; e quando eu digo nada, é nada mesmo. Quando eu olho pra traz e vejo tudo que fiz por você, percebo que não foi nada perto do que você me proporciona, porque é você que me proporciona as melhores coisas nessa vida, provoca sorrisos, causa lágrimas, me dá um coração, me faz te admirar, te amar, me faz querer, me faz persistir e nunca me deixa sozinha. [...] Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Antes de você
Antes de você eu não andava sorrindo pelas ruas, as cores não eram tão vivas e o sol não brilhava com essa intensidade toda. Eu costumava ser mais inconstante, enjoava das coisas, era chata, mal humorada e completamente indomável. Antes de você eu não sabia o que era acordar 7 horas da manhã sorrindo, eu não sabia o quanto era bom ter alguém dormindo sobre o meu braço e eu não podia imaginar o quanto eu ia desejar que uma noite não acabasse. Eu costumava acordar bem mais tarde, com a cara fechada, era mais infantil e não sabia aproveitar as oportunidades que se escancaravam a minha frente. Antes de você o sol era apenas o sol, um leão era apenas um leão e um gato, apenas um gato. Eu costumava ser mais séria, menos sarcástica e não vivia fazendo piada de tudo. Antes de você não havia nada, não havia ninguém e eu não tinha alguém com que me preocupar. Eu costumava ser desligada, não me importava muito com o que pensavam de mim, era racional e não existia alguém no mundo capaz de me fazer mudar de opinião. "Antes de você" é muito fácil, simples e claro, o que é quase impossível é "depois de você", porque com certeza depois de você não há mais nada.
O maior dos meus casos
Debruçada na janela, fitava o horizonte e segurava firme o celular, na expectativa de que I'm alive quebrasse o silêncio que invadia o quarto. As dúvidas cresciam de maneira inevitável e a incerteza já não me deixava dormir, não me deixava comer, não me deixava sorrir. Tinha vontade de sair correndo, fugir daquele mundo de ilusões, na verdade só queria sair desse corpo que não me pertencia mais, desde a chegada de Leona, mas me faltava coragem para lhe encarar e dizer que eu não queria mais, que aquilo não passava de uma loucura e que seguiria o meu caminho, dali em diante, sozinha e de cabeça erguida, na verdade não sei se "coragem" é a palavra exata, talvez "certeza" se encaixe melhor no contexto. Lá fora, tudo estava cinza, chovia de tal maneira que eu já não esperava que o sol viesse me acordar pelas frestas da janela. De repente voltava a passar aquele filme na minha cabeça, de maneira lenta e dolorosa e eu não tinha mais nada a fazer, se não remoer aquelas lembranças e deixar a saudade me corroer. Revivia tudo, ouvia cada palavra, admirava cada gesto. Lembrava até do tempo que não existia nada, nem um simples e insignificante "oi", quando Leona não passava de Lúcia e era apenas uma utopia. Cinco anos se passaram em câmera lenta na minha cabeça e agora eu assistia o início do fim, podia até sentir o friozinho gostoso que fazia naquela noite em que de maneira inesperada, tocou o telefone. Do outro lado da linha era Lúcia, que daquele momento em diante se transformava em Leona. Uma porta se escancarava a minha frente e eu entrava sem pensar em mais nada. Era tudo inesperado, novo, mágico, assustador. Eu nunca ousei sequer em pensar nisso tudo, tampouco desejar, mas aconteceu. Agora Lúcia sabia que eu existia e me permitia conhecer Leona. As ideias se embaralhavam e a cada nova cena, a incerteza aumentava. Assistia agora, o primeiro encontro, ouvia todas aquelas palavras novamente e podia até sentir o frio na barriga e o calor que fazia naquela tarde ensolarada de outubro. O primeiro beijo, desajeitado e roubado dentro do carro mesmo, numa rua qualquer, num bairro qualquer, numa tarde qualquer. Já não era capaz de conter as lágrimas enquanto assistia aquilo tudo, sem pronunciar uma palavra, sem desviar a atenção por um segundo que fosse, estava ali, vidrada, os olhos fixos em alguma coisa que não sei dizer agora o que era, já que eu só conseguia prestar atenção nas cenas que a minha cabeça projetava. Leona era a melhor coisa que já havia me acontecido, sem dúvidas, mas ao mesmo tempo conseguia ser a pior. O calor que me invadia só de pronunciar o nome dela era incrível, muito mais que a maneira que os meus olhos brilhavam quando falava nela e mais até, do que aquele sorriso bobo que aparecia de maneira espantosa no meu rosto toda vez que ela dava um sinal. Lúcia era Leona, era o meu amor platônico, o meu amor eros e por fim, o meu amor ágape. Sendo assim, Leona era Lúcia e ela era todas elas juntas num só ser. Agora as cenas passavam mais rápido, assistia atenta, uma noite daquelas em que o relógio me castigava trabalhando de maneira acelerada, as horas voavam, enquanto Leona dormia sobre o meu braço, de repente o sol invadia o quarto e já era dia, hora de dar adeus aquela noite que no meu íntimo queria que fosse eterna. Novamente sentia aqueles beijos, abria os olhos e aquele sorriso iluminava o meu dia, brilhava e me aquecia mais que o sol, mas eu sabia que era hora de ir embora, de dar tchau, de passar o resto do dia revivendo aqueles momentos e esperando mais uma noite daquelas. Podia sentir a tristeza batendo de frente com a felicidade de poder desfrutar daquilo tudo. A agonia era constante, a dúvida atormentava, a incerteza já estava entranhada em mim e eu permanecia ali, ciente de que aquilo não era certo. Chega a ser ironia falar que não é certo quando se trata de amor usava isso como argumento e persistia nisso. Um mar de ilusões no qual eu mergulhava, certa de que poderia naufragar. Mas não tinha como fugir, por mais que eu quisesse, eu não poderia, minha razão a essa altura já havia sido traída pela emoção e meus princípios já havia me despido deles. E pra ser honesta, eu não queria fugir, eu precisava. Procurava defeitos nela, como se pra achar alguma coisa que me impulsionasse, que desse coragem pra ir embora, mas era inútil. Nada me fazia gostar menos, ou querer me afastar. Amava até o pior defeito de Leona, amava desesperadamente, amava de forma incondicional. O filme continuava e eu assistia aqueles beijos intermináveis, podia sentir seu cheiro, seu corpo frio sobre o meu corpo quente e o gosto do seu beijo, que eu jamais provei igual. Me envolvia e me deixava enlouquecer, como se aquilo fosse a minha salvação. E era, de fato, era quando eu podia descansar um pouco da agonia que a incerteza daquilo tudo me causava. Mais uma vez o sol me desapontava, vinha terminar com a minha paz, me obrigava a ir embora e trazia a incerteza de volta. Era sempre assim, já estava acostumada, seguia a rotina, mas ao contrário de tudo que veio antes de Leona, aquilo não me cansava, não me enjoava. Outra noite chegava e com ela o desejo de estar lá, esperava ansiosamente que ela me ligasse e quando não acontecia, inventava uma desculpa, um assunto qualquer e ligava pra ela. Não conseguia ficar longe, não suportava a abstinência, precisava saber dela, precisava proteger ela. Eu tentava ir embora de uma vez por todas, mas sabia que era uma tentativa inútil, sabia que enquanto ela quisesse, eu estaria ali, inteira pra ela.
Você está aqui
Incontáveis dias de espera e inquietação, de desespero e tristeza e você vêm me dizer que só estava esperando que eu tomasse a iniciativa? Eu deveria gritar, afinal, o que você está querendo? Tripudiar nos meus sentimentos? Todas as palavras que até ensaiei pra te dizer ficaram presas, a minha mágoa sumiu e havia um sorriso bobo nos meus lábios. Não, isso não é possível! Como você pode mexer tanto comigo? Como consegue transformar um ataque de raiva em uma felicidade fora do normal apenas com tua presença? Sinto-me aliviada por ter você aqui, do meu lado, sorrindo pra mim. A verdade é que você consegue fazer com que eu esqueça o mundo, me faz completa e quando está aqui eu não preciso de mais nada, você é o tudo que me faz feliz e sem você tudo é vazio. É estranho e quase impossível transformar esse sentimento em palavras, mas por algum motivo eu insisto em fazer isso, talvez seja a necessidade de tentar expulsar essa agonia de dentro do meu peito, talvez seja mais um tentativa inútil de tirar você dos meus pensamentos. Mesmo que eu te tenha por poucos momentos, mesmo que sejam só algumas horas, mesmo que seja apenas quando sobra um tempo, ter você é tudo que eu mais quero. Não! Eu não me contento com pouco, pelo contrário, talvez seja esse o motivo de tanta agonia, talvez seja isso que me mata aos poucos, mas que importa se é você que me faz viver? Se é você a razão pela qual eu sobrevivo? Talvez o destino tenha algo preparado pra nós, talvez seja tudo passageiro, talvez você nem se importe, mas eu me importo e isso é suficiente. Algum motivo deve haver pra você estar aqui mais uma vez, talvez seja só a vontade de fugir da rotina ou a sua vaidade traiçoeira, mas não importa, porque você está aqui e algo me diz que não irá embora tão cedo.
25 nov. 2010.
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